O destino
O destino eram
Os homens escuros
Que assim lhe disseram:
- Tu esculpirás Seu rosto
de morte e agonia
Sofia de Mello Breyner Andresen, Cristo Cigano
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| Paula Rego, the dance |
O mundo desarvorado
numa aventura de homens
loucos
investidos
providencialmente
pela esterilidade das suas
ideias:
nas paredes alastram dores
capilares num rendilhado como teia
prenunciadores
dos dias futuros de ruína
A casa toda
vibra de uma estranha
emoção
Sento-me no chão
térreo onde fico separadodas coisas
suspensas na ordem mundana
nas
paredes da vida
Olho o relógio do tempo e
vejo
o movimento ainda inteiro
o ritmo atómico dos
ponteiros
vindo das profundezas
e o susto golfa
adrenalina
até que o coração se
sincroniza
na cadência original
Mesmo não acreditando
uma prece um sussurro
pode mudar o mundo
- quem sabe -
se a folha só
que no desamparo nega
o destino cai
num afago de mãos
hajota






