domingo, 23 de dezembro de 2018

Adorando andorinhas


A todos os amigos e seguidores deste blogue desejo as maiores felicidades nas suas vidas pessoais e familiares, especialmente nesta quadra festiva de Natal e Ano Novo.





    Natal quêbê       
Natal quanto baste a cada um!
É melhor todos terem algum
Do que não haver nenhum

Que o Homem veja o que faz
Para que se conserve a Paz

hajota





Adorando andorinhas 
tão antigas as memórias
nozes bolos avó com tempo
e carrapito preto preso ao gancho
de tartaruga (plástico não havia)
o glaucoma embaraçado no fumegar do chá

As vidraças embaciadas
e a gente entretida a doces marmeladas
abria folhas a dedo
na tarde deformada lá fora

quando no beirado os ninhos já
gelados de saudade dos bicos o barro
o bairro inteiro desabituado devoluto
carente de acrobacias os voos picados
do céu à calçada rasantes 
que se alevantava
até ao poiso no cobre que morria

na janela da sala deslumbrada
os olhos ainda as seguem na imaginação


hajota

domingo, 9 de dezembro de 2018

O Crepúsculo Azul



...
- A esperança resiste sempre
e onde está a minha doutor, caiu-me um dia destes, não torno  a encontrá-la, se calhar rebolou para debaixo da cama ou sumiu-se para sempre numa frincha qualquer, os soalhos não são feitos de tábuas, são feitos de intervalos nos quais também a vida se some e é inútil procurá-la de gatas, descobre-se um elástico, uma tampa de caneta, moedas já sem valor às vezes mas a esperança perdeu-se"...

António Lobo Antunes, Para Aquela Que Está Sentada No Escuro à Minha Espera


-o-o-o-o-o-o-



Imagem minha


-o-o-o-o-o-o-

Ainda por cá ando e,
a propósito de cores,
perco o juízo pelas bermas
do caminho que por mim passa,
numa ilusão caleidoscópica:
enquanto a folha cai
o tempo que se tem vai

Sei que é preciso saber 
mas não há ciência, que investigue, afirme, guie,
peremptorius,
a acção paradoxal da inacção,
no entanto sei que é preciso esperar
Esperar…

pela hora azul quando se cai
do deslumbramento da perfeição
acabada no instante que sublima 
a beleza de tudo o que nasce
se define e definha

Ainda cá ando e espero
e delecio-me na dualidade 
da cor que verbalizo a caminho
nas alamedas da insignificância 
definitiva de - que remédio

Perco o juízo pela hora crepuscular
Azul


hajota