sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Corrupções

Luc de Clapiers, imagem da Wiki



Lembrei-me, ao ler hoje o "Escrito na Pedra", na última página do Público, de  ir buscar à gaveta dos rabiscos este Corrupções.  A frase  "Antes de  atacar um abuso, deve ver-se se é possível arruinar-lhe os alicerces" é do escritor francês Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues (1715 - 1747). 









Faz-se ao som de ladainhas
juros capital spread euribor
e outros latins financeiros
em nome do pai o supremo:
o som do dinheiro engrossa
fungos e empreiteiros.

Engrossam unhas cunhas
facilitações comissões
distribuídas pela pirâmide
multiplicam-se passos 
e à força de buldozer os espaços
Onde havia revelo relevante
a chatice da cidade dormitório.

Alastram fantasmas e miasmas
a construção da ruína nasce
da horizontalidade da bolha
da ditadura redutora do relevo
(Retirem o peito à Miquelina
e vejam como o que era lindo fica chato!)

hajota


Brandoa - Amadora, http://www.skyscrapercity.com/



27 comentários:

  1. de teu poema
    tudo é (permanece) actualidade

    Lindo era Santo António dos Cavaleiros
    nos arredores da cidade
    enorme mamelão
    semeado de betão

    Linda era o Outeiro da Polima
    e mais abaixo
    e mais acima
    e até
    na outra margem
    onde reinava Xavier de Lima

    Na grande Lisboa
    Oeiras
    onde ainda há gente boa
    que trabalha na Teixeira Duarte
    que tem engenho e arte
    para continuar a construir

    Vende-se? Não se vende?
    Que importa
    isso agora

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  2. Andei à procura do "Escrito na Pedra" de hoje, mas não encontrei. A frase de Clapiers é digamos que...profundamente interessante e racional...o poema retrata esta época de compadrios e interesses económico-políticos...os 2 versos finais, muito bem colocados entre parêntesis, fizeram-me lembrar o quadro "A Política - A Grande Porca" de Rafael Bordalo Pinheiro!
    Apesar de não conhecer, a foto da Amadora, a ilustrar o escrito, será de há algum tempo atrás...
    bjinho

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  3. É por isso que precisamos de estar um centímetro de chão e apreciar as coisas belas e simples da vida sob pena de nos contagiarmos com o ruido do mundo...

    Abraço

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  4. Estamos numa selva de Betão e parece que o pouco verde está condenado... Onde está a Beleza?
    O que interessa é salvaguardar os próprios interesses...
    Beijos e abraços
    Marta

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  5. A corrupção está no sangue de muitos.
    Coitada da Miquelina...
    Um magnífico poema, gostei de ler.
    Agostinho, bom resto de domingo e boa semana.
    Abraço.

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  6. Nesta África branca das Europas
    nas próximas urnas
    tudo devia ser mais claro

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  7. Uma novilíngua, Agostinho.
    Cheia de estrangeirismos, de tecnicidade, fechada, opaca.
    Aquele abraço, boa semana

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  8. A corrupção é insidiosa. E a pior é aquela que está de "acordo" com o que está estabelecido. "Engrossam unhas cunhas
    facilitações comissões"
    A verdade é que a ideia dominante é mesmo esta. São as pequenas corrupções que geram as grandes...
    Um poema para pensar, meu amigo Agostinho.
    Um beijo.

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  9. ~~~
    ~ ~ ~ Sempre bem vinda a sátira perfeita...

    Uma ação comunitária que devia envolver mais os cidadãos, pois eles
    - os dos buldozeres - podem tudo e fazem tudo o que o pobre não pode,
    por lhe faltarem luvas...

    Ótima e muito pertinente crítica à cronicidade de maus hábitos sociais.

    ~~~ Abraço amigo, Agostinho. ~~~
    ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

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    Respostas
    1. Madrinhamiga

      AVISO

      MAIS UMA VEZ ACONTECEU-ME UMA PORRA: O MEU IMEILE DA SAPO PIFOU!!!!!!!!!

      O BLOGUE FICOU, POR ISSO, PODES CONTINUAR A ENVIAR COMENTÁRIOS!!! MAS ESTOU SEM POSSIBILIDADES DE ENVIAR TEXTOS!!! ESTOU QUASE A FICAR DESANIMADO...

      MAS VOU TENTAR ABRIR UM NOVO IMEILE NUMA PLATAFORMA INDIANA. DEPOIS ENVIAREI O SEU ENDEREÇO - SE O CONSEGUIR FAZER...


      Bjs da Goesa e qjs do afilhado Leãozão

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  10. Que dizer?
    Mais uma pérola de um excelente cultor da mordacidade poética ou, se se preferir, da poesia mordaz.
    Incisivo, certeiro e... elegante! Como sempre...
    Aleluia!

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  11. se retiram o peito à Miquelina ... tudo murcha!
    antes retirem o pão para a boca!

    abraço

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  12. Padecemos dos mesmo males. Aliás, os nossos são maiores porque temos uma extensão territorial maior.
    "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
    Senado Federal. Rio de Janeiro, DF
    Ruy Barbosa

    Forte abraço,

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  13. Gostei de le.

    Mesmos em conseguir erradicar a origem, deve.se denunciar o mal, sim

    Boa semana

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  14. A corrupção sempre reinou e continua em alta.
    Poema duro, certeiro, que, sem piedade.põe o dedo na ferida.

    Como ainda não o fiz... desejo que o Novo Ano traga dias muito felizes.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  15. É o veneno perigoso e quem manipula este veneno,
    utiliza a ganância, a maldade, a falta de ética
    e a dessensibilização humana.
    Vejamos as classes políticas (poucas exerções) com seus aliados
    na capacidade monstruosa de desviar as verbas de educação, saneamento, moradia
    saúde e etc.
    Como muito bem diz o teu poema-denúncia:
    "Alastram fantasmas e miasmas
    A construção da ruína nasce"
    Magistral!
    Bj.

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  16. Boa tarde, a marginalização da ditadura continua, somos especialistas em formar pessoas para assaltar e retirar o peito ás Miquelinas, não é menos grave quando assobiamos para o lado num faz de contas que nada vimos, que nada sabemos.
    AG

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  17. O abismo nos espera e ninguém se importa...

    Beijo

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  18. a corrupção, uma praga que sempre existiu e é difícil de exterminar.
    mordaz e um dedo na ferida este poema excelente.
    um estilo um pouco diferente do que tens postado.
    beijo
    :)

    beijo
    :)

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  19. Obrigado pela visita à minha pagina e bom fim de semana.
    AG

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  20. As mãos que manipulam as marionetas, mais apuradas que nunca, aparentemente tudo infestaram de fungos. Mas ainda por aí há dignidade, este poema é evidente prova.
    Grato, Agostinho.

    Abraço

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  21. Esse mês estou comemorando 11 anos de blog.
    È tempo demais dedicado a essas pessoas lindas de Deus
    que fui conhecendo ao longo dessa caminhada.
    Deixei um mimo na postagem se for do seu agrado
    leve ficarei feliz.
    E ficarei feliz da mesma forma se ñ levar eu entendo.
    Um carinhoso beijo.
    Deus abençoe por tudo.
    E uma semana de paz .
    Evanir.

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  22. Agostinhamigo

    AVISO

    MAIS UMA VEZ ACONTECEU-ME UMA PORRA: O MEU IMEILE DA SAPO PIFOU!!!!!!!!!

    O BLOGUE FICOU,MAS ESTOU SEM POSSIBILIDADES DE ENVIAR TEXTOS!!! ESTOU QUASE A FICAR DESANIMADO...

    MAS VOU TENTAR ABRIR UM NOVO IMEILE NUMA PLATAFORMA INDIANA. DEPOIS ENVIAREI O SEU ENDEREÇO - SE O CONSEGUIR FAZER...


    Abç do Leãozão

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  23. Gostei de reler o teu excelente poema.
    Boa semana, caro Agostinho.
    Abraço.

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  24. Corrupção... vírus que contaminou o mundo... e cujo antidoto... muitos não estarão interessados em que se descubra... pois não saberão viver sem a sua Miquelina!... E isso... para os que sentem os seus efeitos na pele... é que é verdadeiramente chato!
    Palavras que descodificam muito bem a realidade podre, em que vivemos mergulhados...
    Abraço
    Ana

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  25. Seriamos um outro país sem os corruptos que nos arruinaram.

    Beijinhos, Agostinho :)

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