terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Morte e ressurreição

Henri-Matisse, The girl with green eyes
http://pt.wahooart.com/






Não acendas fogueiras à janela
- pode o escuro enamorar-se
das tuas verdes íris.

José Luís Tavares, Lisbon Blues,
1.ª estrofe de Alfama (pag 32) 
 Abysmo









Sente-se uma picada  
como uma urtiga na noite
dentro está a lâmina

O aço rubro brilhante
cravado no ventre e
o sangue fermente incan_
descente das profundezas  
sobe num prenúncio de agonia

A morte chega enovelada
na insónia a arder clara- 
mente branca - anunciada no fogo
do fim do mundo

Noite após noite as pérolas
brotam em translações
por entre esgares e sons
e antes da madrugada
sobrevém a ressurreição


hajota

25 comentários:

  1. Algo tétrico deste vez, Agostinho.
    Aquele abraço

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  2. Costumo dizer: felizes os que morrem, nascem e renascem quantas vezes é preciso...
    Este seu poema tem um sentido profundo e como que "esgarça" os fios de um silêncio só permitido às palavras...
    Um beijo, meu Amigo.

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  3. Por muito que doa, a morte escreve-se todos os dias... Ninguém está esquecido, porque vive nas memórias...
    Como sempre, brilhante...
    Beijos e abraços
    Marta

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  4. A estrofe de José Luís Tavares é um conselho sábio a reter.
    O poema de hajota é sublime...considero que todos temos várias mortes e ressurreições ao longo da vida, às vezes até ao longo do próprio dia...é pelo menos o meu sentir e convicção.
    Parabéns!
    Abraço

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  5. Cada fim, pressupõe uma outra forma de recomeço...
    Por isso, o inicio e o fim, estão presentes em cada dia... cada dia encerra um fim... cada dia é um recomeço...
    Abraço! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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  6. há coisas que eu tenho dificuldade em gerir, e a morte, embora seja irreversível, é uma dor que me é insuportável.
    ressurreição...será? talvez, mas não creio.
    um poema profundo e algo lúgubre.
    um beijo
    :(

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  7. ~~~
    Algo macabro, mas acabou bem, felizmente.

    Está sempre a acontecer,
    porém,
    evitamos refletir sobre ela, a todo o custo...

    ~~~ Abraço amigo. ~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  8. Aprecio muito esta tua poética enigmática, inscrita de mistérios e
    metáforas ricas de filosofias profundas!...
    A imagem escolhida (Matisse) é belíssima!
    Sim, a morte e renascimento faz parte da vibração
    da matéria da vida.
    O teu poema vibra nesta transcendência:
    verbo, respiração e beleza!!
    Aprecio muito a tua presença no meu espaço, o teu olhar luminoso
    na minha poética.Grata!

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  9. primeiro estranha-se, depois entranha-se...
    poema profundo e formalmente muito bem conseguido

    gostei. deveras!

    abraço

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  10. Parece o acordar de um pesadelo...
    Poema fascinante.

    Beijo.

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  11. Boa tarde, o inicio e o fim encontra-se nos extremos, iniciamos-nos a caminho do fim, o fim causa um novo inicio, o poema é perfeito.
    AG

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  12. O que fazer do ocaso
    ao encontrar-me por acaso?
    Colher ambos em silêncio.

    Aqui a poesia traz sempre uma aura embriagada em mistérios e lirismo... Sempre bem arquitetada, bem construída!
    Abraços, Agostinho

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  13. Sonho apocalíptico?
    Poema bem construído, cheio de detalhes artísticos, com jogos de palavras nem sempre explícitos...
    Esta parece ser mesmo a tua praia!

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  14. Gostei muito! Intenso, forte, decidido!
    depurado!

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  15. Entre esgares e alentos, a condição humana se vai forjando. Às vezes com sentido, outras nem tanto, tal a nossa imperfeição. Mas ousamos, ousamos sempre, dignidade oblige.

    Um abraço

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  16. E como é bom renascer a cada madrugada.
    Excelente poema, caro amigo Agostinho, gostei imenso.
    Boa semana.
    Abraço.

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  17. Que haja sempre lugar à ressurreição.
    Lindo poema, como é hábito, Agostinho!

    Beijinhos (espero que estejas bem de saúde)

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  18. E a ressurreição como promessa de vida...
    Uma estrela no teu sorriso,
    Helena

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  19. OI AGOSTINHO!
    ASSIM É A VIDA, MORRERES E RESSURREIÇÕES QUE PODEM ACONTECER EM QUALQUER MADRUGADA.
    COMO SEMPRE, MANTÉNS UM NÍVEL ALTÍSSIMO EM TEUS ESCRITOS, PARABÉNS.
    ABRÇS
    http://. zilanicelia.blogspotcom.br/

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  20. Agostinho,
    Gosto muito da sua poesia. Não estou rica em palavras, ando a preferir o silêncio.
    Boa noite.:))

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  21. é um pesadelo, passa com o sonho da madrugada


    um abraço, Agostinho

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