quinta-feira, 24 de maio de 2018

Poesia petiz


O pino na vida

Recebi na virtualidade tranquila do Facebook uma frase lapidar: 
“aceite o que não pode mudar, mude o que não pode aceitar”!
Tão elementar de ler e de entender, contudo, o trabalho que isso dá... A dificuldade em atingir o ponto de equilíbrio da verticalidade é imenso, por isso, nem todos conseguem o pino, ficando-se na inércia da horizontalidade missionária.
Quando o verbo se extingue está morta a vida. É o verbo que tudo conjuga.
Quem é capaz de fazer o pino? O Pomar fê-lo, imensamente, e ficou sempre de pé.


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nadir_afonso






na aventura das palavras
quem diz barcos e (a)mares
condiz árvores com mastros
e madeira são tábuas azadas
em cavername e quilha conformadas
seja carne ou pele o que sou
com frio e calor tudo eu dou
numa folha de papel


vem a neta e diz
“avô faz um barco!” …
levanta-se uma brisa enfuna a vela
num instante e a folha gravada
a azul bic conforma-se 
na poesia petiz e
pomo-nos a navegar par a par
no nosso feliz amar

mar e amares e tanta cor
fruta e flor num Pomar primoroso
a navegar justamente 
agora que o Júlio vai



hajota





25 comentários:

  1. Fica, o Pomar, para nosso imenso gosto!

    Beijinhos, Agostinho :)

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  2. Está muito interessante a análise que fez à «frase lapidar».
    Há muito tempo que não lia um poema seu tão agradável...
    Tem abundado a desconstrução que, se não for equilibrada, conduz a enigmas aborrecidos.
    Este é realmente o poeta que aprecio. Parabéns.
    Abraço, Amigo.
    ~~~

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  3. "Um amigo que parte é uma ferida na luz", disse um poeta. O Júlio Pomar é este amigo que agora nos deixou mais desselados, mais sombrios. A sua verticalidade de pintor e cidadão não pode ser esquecida.
    No seu poema vi as velas a enfunarem-se e o barco seguir como se voasse no olhar da neta…
    Um bom fim de semana.
    Um beijo.

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  4. Obrigada pelas suas palavras, meu Amigo Agostinho. A sua poesia é cheia de originalidade. É iluminada por todas as emoções, sentimentos, angústias e alegrias. Pode dizer-se, então, que assombrado é o coração e o olhar do poeta... Eu gostei imenso do poema.
    Um beijo.

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    1. O que dizer mais, depois destas palavras?
      Faço-as minhas, pois.

      Beijinhos ao pieta e à pietisa também. :)

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  5. Ficam as cores....e tudo o que se sente...
    Beijos e abraços
    Marta

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  6. Por entre a delícia de metáforas e as palavras envoltas num manto que me fazem lembrar palavras vadias, leio a mais bela homenagem que Júlio Pomar, algum dia, almejou lhe fizessem.

    Partiu o Homem, ficou a sua gloriosa obra.

    Beijinhos, Agostinho.
    Obrigada!

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  7. Será que os comentários aqui deixados, também se estão a extraviar, como tenho lido pelo blogobairro, Agostinho?
    Deixei aqui uns dizeres meus, recebeu-os? Com esta coisa da protecção de dados andam a acontecer coisas estranhas.

    Beijos

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  8. Meu caro Agostinhamigo

    Tive o gosto e o prazer de ter o Alexandre Pomar por camarada de trabalho no Diário de Notícias e através dele conhecer pessoalmente o pai. Foi um privilégio que nunca mais vou esquecer para além da sua obra naturalmente.

    Um abração deste teu amigo e admirador
    Henrique, o Leãozão (de juba muito amarrotada...)

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  9. O amor de avô é mesmo especial, não é??
    Aquele abraço, boa semana

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  10. uma bela homenagem ao Pomar
    porque a obra fica para a eternidade
    um pomea muito bem escrito...
    boa semana.
    beijinhos
    :)

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  11. Bela frase, linda imagem e extraordinário poema! Parabéns por tanta beleza e arte, as quais repartes conosco, amigo Agostinho! Ergo-te a taça num brinde amoroso e de admiração! Gratidão pela partilha e parabéns pela postagem! Grande abraço. Laerte.

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  12. Quando o verbo se extingue não será o início de outro mundo?

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  13. A gente parte, todos têm que ir, mas há sempre uma marca que fica, qual (re)começo para alguém. Enquanto houver memória, nunca partiremos do zero.
    Gostei, gosto sempre, Agostinho.

    Abraço

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  14. Uma conjugação perfeita do eterno (a)mar numa bela homenagem. Fica a obra e como alguem dizia " não deixem morrer os nossos mortos". Um abraço.

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  15. gostei muito do poema.
    e da bela homenagem - sem "adiposidades"!

    forte abraço, amigo Agostinho

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  16. Agostinho, a beleza deste teu poema dói! A Laurinha inspirou-te, decerto. Põe-no de parte, junto com aqueloutros que tu sabes!...
    Também gosto do exórdio. Não se conseguindo o pino, ficamo-nos pela horizontalidade missionária! E porque não?
    Abraço!

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  17. Quanta beleza, quanta música, quanto marear em tão extasiante poesia!
    Júlio se vai, outros vão indo...
    Beijinho, A.

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  18. Uma belíssima homenagem a Júlio Pomar... que continua de pé... como as árvores... com o seu talento e a verdade da sua obra, e percurso de vida...
    Gostei imenso do poema... e da frase inicial... que não é mesmo nada fácil de cumprir... mudar o que não se pode aceitar... ai, se algumas coisas, dependessem só de nós...
    Beijinho! Bom domingo, e uma excelente semana!
    Ana

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  19. OI AGOSTINHO!
    HOMENAGEM BELÍSSIMA.
    FOI-SE O VERBO, MAS, O POMAR CONSTRUÍDO PERMANECE.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  20. Tua construção naval
    Feita em amor para a neta
    É obra-prima, poeta!
    E Sagres não o fez igual.

    Parabéns! Eis Portugal
    Em sua ação predileta:
    O mar é união e é a meta
    Que é o navegar, afinal!

    Teu barco em navegação,
    Aporta alma e coração,
    Transportando a poesia.

    No fim faz atracação
    No cais da imaginação
    Da netinha! Quem diria?!...

    Grande abraço, Agostino! O teu mundo é grande e o teu mar sem fim é infinito! Parabéns! Laerte.

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  21. aceite o que não se pode mudar

    se aceitar...

    e no entanto, esteve 92 anos entre nós com toda a sua beleza

    um abraço, Agostinho

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  22. O 'pino' é um treino de pequenino,como olhar para dentro e descobrir tanta coisa; o equilíbrio da vida.

    E que bem se equilibra Agostinho,na sua folha de papel,na sua bic azul e tanto afecto.

    Um Abraço.

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