segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Em tempo de plenitude


(regressei da rarefação do éter > oh dois da tal vez > deixei escafandro > sobretudo lanígeo de preguiça) > hajota

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

(trecho de)
Marco                              
Estava  sempre  ali, à  espera, quilómetro  52,
entre  um cruzamento e uma rotunda, no único
quilómetro com uma árvore para dar sombra, e
um marco onde se podia sentar,cruzar as pernas
mostrando  as coxas, e  olhar  fixamente  cada
carro que passava." ...

Nuno Júdice, O Coro da Desordem

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-



foto minha




em tempo de plenitude
arco tangendo cordas tensas
do esterno à vertebral coluna.

outonos maiores no tom,
frutos primícios, morangos
nos outeiros, mãos cheias, e
maresias perfumadas d’algas e sal
no labiríntico tufo perlado. perdido

que disse o silêncio de dentes,
que esgares de chispas se soltaram
em tempo de plenitude?


hajota

19 comentários:

  1. Respira-se... Pura e simplesmente...
    Lindo..
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  2. Fantástico post. Lindos versos!:)
    -
    --> O meu paraíso nublado ...
    Beijo e uma excelente semana.

    ResponderEliminar
  3. Um tempo de plenitude, o outono, onde tudo ganha tons de mel, e há fruta madura e "maresias perfumadas d’algas e sal" e o mosto circula no sangue dos que acreditam na vida. O silêncio e os esgares não podem sobrepor-se à fragilidade das palavras. Sabemos isso…
    Tinha saudades de o ler.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  4. Em todos os apeadeiros há folhas estateladas
    no cais barcos que se não vergam
    Outonos com pássaros que cantam

    Abraço

    ResponderEliminar
  5. Bonita fotografia
    E um poema excelente!
    Parabéns! Estou contente
    De sentir o que eu sentia

    Diante da poesia
    Como se o arco tangente
    Vibrasse cordas da gente
    Que em nossa alma dormia.

    Parabéns, mestre Agostinho!
    Mais uma taça de vinho
    Eu ergo num brinde a ti!

    Teu poema é um carinho
    À alma! É luz ao caminho
    Do teu aprendiz, aqui!

    Parabéns Agostinho! Há tempo que cá não vinha e muito perdi! A colmeia nos faz pensar em um Criador - quem ensinou esses insetos que o hexágono é a mais perfeita forma de aproveitamento do espaço em construções geminadas? As seis paredes contíguas têm duplas serventias em cada volume da célula ... A engenharia moderna talvez não tivesse solução tão evidente... Grande abraço, meu amigo! Laerte.

    ResponderEliminar
  6. Seja bem regressado meu amigo!
    Aquele abraço, boa semana

    ResponderEliminar
  7. Uma imagem absolutamente extraordinária, esta obra de engenharia... natural!... Mas também cada vez mais em perigo, estas trabalhadoras incansáveis... desde as alterações climáticas, às culturas intensivas, que lhes mudam o habitat... agora à existência da vespa asiática... provavelmente criada ou modificada em algum laboratório... e que terá descoberto alguma janelinha aberta por onde fugir e pelo mundo se expandir, com capacidades acrescidas...
    Tempo de plenitude... onde?... Alguma vez existiu?... Ou só pode ser por cada um concebido, idealizado, sentido, entendido... para poder ser desfrutado?... Se o Homem, se sente cada vez mais acompanhado, pela sensação de insatisfação permanente, de que algo sempre lhe falta... nem que seja o seu próprio tempo...
    Talvez apenas para aqueles... que sabem que o segredo, é acompanhar o tempo... e não correr atrás dele, ou contra ele... se abra um esgar... de verdadeiro prazer... ao sabê-lo verdadeiramente apreciar... na forma de um sorriso... enquanto vai saboreando, os frutos da época...
    Muito bom tê-lo de volta, por aqui, Agostinho! Beijinho! Continuação de uma feliz e inspirada semana!
    Ana

    ResponderEliminar
  8. Outono também é o mel na fartura do cofre de um favo.
    Também colheita de pores- de -sol de ouro e frutos maduros mesmo pães os esgares incontidos
    Tanto aroma de grande poesia !
    Beijinho, Agostinho

    ResponderEliminar
  9. Labiríntico também o poema: abre margens para muitas interpretações (ainda mais terminando com uma pergunta). Bela imagem. Um abraço.

    ResponderEliminar
  10. Com múltiplas interpretações e muito poucas respostas, mas, sem dúvida, digno de reflexão.

    Como provavelmente não nos "veremos" antes do Natal...
    Boas Festas com muito amor envolvido.

    Desejo uma semana feliz
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderEliminar
  11. Cá volto por gratidão
    A ti, amigo Agostinho,
    Bardo exemplar em alinho
    Com a arte e o engenho que são

    De sua verve a extensão
    Para alargar seu caminho
    E não palmilhar sozinho
    Na saga de um extenso vão

    Que sai do Vate e se amplia
    De sua alma em poesia
    Com a doce luz do encanto

    Qual um farol que alumia
    A dita e extensa via
    Do amor como terno canto!

    Amigo, és um mestre com quem aprendi muito e grato te sou! Eis que chega o fim do ano... Desejo muita saúde, paz, amor, contentamento, felicidade, um Bom Natal e Próspero Ano Novo a ti e aos teus! Grande abraço! Laerte.

    ResponderEliminar
  12. Plenitudes tão perto que nem lhes podemos tocar
    Ousemos

    ResponderEliminar
  13. Em tempo de plenitude... sonhar é o caminho? E o silêncio que entremeia? E gota a gota a vida que se perde?


    Um abraço e Feliz Natal

    ResponderEliminar
  14. Em tempo de plenitude... tanta desordem a par de tanta ordem. Desordem de vidas à espera de vida. Ordem bem ordenada com sabedoria imensa, como a que a bela foto nos mostra.
    E gostei muito da poesia que me vibrou também tudo isso.

    Agora voltando um olhar à Plenitude dos Tempos, deixo votos de um Santo e Feliz Natal!

    Beijos.

    ResponderEliminar
  15. Lê-lo é uma viagem e tanto, Agostinho. É sempre um prazer.

    Grande abraço

    ResponderEliminar
  16. Desejo-lhe festas felizes e que o Bom Deus lhe dê um casaco com muitos bolsos,

    porque asas, já o Agostinho tem :)


    um abraço

    ResponderEliminar
  17. um poema de grande qualidade, Caro Amigo
    como é de teu timbre.

    deixo um abraço
    com os melhores votos de Boas Festas
    para ti e aqueles que amas.

    ResponderEliminar
  18. em tempo de plenitude também pode haver
    muita desorientação

    beijo
    :)

    (segundo coment)

    ResponderEliminar